15 de fevereiro de 2011

Educação

Ao ler este post, fiquei com vontade de escrever o que se segue:

O meu pai nunca nos bateu, ralhava e punha-nos de castigo e isso doía bem mais do que uma palmada, garanto-vos.
 
Depois de jantar/almoçar lavava-se e limpava-se sempre a loiça eu, muito chateada, tinha de ajudar a minha mãe, hoje sou incapaz de deixar a cozinha para arrumar “mais logo…”.

Quando os questionei como nasciam os bebés os meus pais disseram-me a verdade, nada de cegonhas e eu, bem eu não acreditei LOL.

Os meus pais ensinaram-me que podia não haver dinheiro para comprar isto ou aquilo, mas para comer o dinheiro não podia faltar. Começaram a dar-me uma semanada (1.000$00) bem cedo para eu aprender a gerir o meu dinheiro.

Lá em casa não havia créditos nem compras a prestações, só se comprava se havia dinheiro, se não havia não se comprava. Hoje só temos o crédito à habitação.

Os meus pais não me ensinaram apenas a gerir as minhas economias, ensinaram também a gerir o meu tempo, havia o tempo de estudar, de brincar, de dormir e tempo para ajudar a mãe nas tarefas domésticas.

Lembro-me de quando surgiram os famosos bonecos carecas, aqueles que pareciam bebés reais, na altura eram muito caros, eu nem me atrevi a pedir um aos meus pais, no entanto, no Natal a minha mãe ofereceu-me um, fiquei super contente.

Quando o último grito era ter uma aparelhagem, ou um vídeo, ou um jogo electrónico, ou um computador, ou telemóvel, nós tínhamos, mas sempre com o ideal que “se o tínhamos era porque o tínhamos merecido”. Os presentes tinham outro valor…

Quando fiz 18 anos, ao contrário de muitos jovens, não tinha ansiedade para tirar a carta de condução. Aos 19 o meu pai foi-me inscrever numa escola e quando chegou a casa disse-me: “ Amanhã tens de ir à inspecção médica e depois podes começar as aulas!”

No dia em que tirei a carta os meus pais levaram-me a um concessionário onde me esperava um carro novinho em folha, (os meus pais também eram loucos, LOL).

Já com a minha mãe doente desisti da Universidade, os meus pais ficaram tristes mas apoiaram a minha decisão. Um ano após a morte da minha mãe, o meu pai (sabendo da minha vontade de voltar a estudar), foi à Universidade inscrever-me quando chegou a casa disse-me “Em Setembro podes apresentar-te”, e foi o que fiz, 4 anos depois estava licenciada. Bem-Haja.

Ensinaram-me a cumprir horários, a não mentir, a respeitar os mais velhos, a dizer boa noite/ bom dia, a dizer obrigada, a dizer se faz favor, a pedir desculpa, a acreditar em mim …

Este post já vai longo, muito longo, se chegaram até aqui muito obrigada pela paciência, muito ficou por dizer pode ser que um dia me dê assim outro raio de inspiração.

Bjs

1 comentário:

  1. Na minha casa também se deram esses ensinamentos. E eu aprendi que é preciso trabalhar para conseguir o que se quer e estou tremendamente grata por isso. Espero também ter o discernimento para passar essa mensagem aos meus filhos!

    ResponderEliminar